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Bom dia :)

Histórias são contadas a partir de pontos de vista e estes são informados por conhecimentos prévios e crenças de quem está contando. Pode ser um personagem em primeira pessoa ("eu vivi isso e aquilo"), pode ser um narrador em terceira ("ele viveu isso e aquilo"), pode ser ainda outro recurso de narração, sempre haverá um ponto de vista sendo expresso.

Quando ensino sobre pontos de vista nos cursos do Ninho de Escritores, existem dois exercícios que utilizo bastante. O primeiro deles é sobre experimentar diferentes modos de observar e narrar uma cena.

Se eu assumo a primeira pessoa, isso significa que tenho acesso ao que penso, faço e digo e também ao que as demais pessoas dizem e fazem, mas não ao que pensam ou sentem. É possível escrever: "entrei na sala e percebi que todos lá estavam me odiando", mas leitores com boas habilidades de interpretação de texto serão capazes de perceber que "estavam me odiando" se trata de uma avaliação do personagem que está narrando, não de um fato concreto. Isso acontece porque a primeira pessoa está limitada a não conhecer pensamentos e sentimentos de outros personagens (salvo em algumas histórias de fantasia).

Se assumo a terceira pessoa, posso fazê-lo de vários modos. Pode ser uma terceira pessoa objetiva, aquela que apenas descreve o que se faz e se diz, sem avaliações, julgamentos, pensamentos, sentimentos, nada que não seja observável, da mesma forma que uma câmera o faria. Pode ser uma terceira pessoa que acompanha um personagem, entrando em seus pensamentos e sentimentos, mas evitando o interior de outros (é uma forma de replicar a primeira pessoa, só que na terceira). Pode ser ainda uma terceira pessoa onisciente, aquela capaz de entrar na cabeça e no coração de todos os personagens, que sabe o que se passa no mundo todo e que às vezes faz até comentários sobre o futuro e sobre o que os personagens não têm como saber.

A terceira pessoa onisciente é a que menos conecta com os leitores, pois cria uma experiência de realidade que é muito distinta daquela que vivemos habitualmente. Não há pessoa no mundo capaz dessa onisciência e, portanto, sua elaboração será sempre absolutamente inventada.

Se assumo a segunda pessoa, também posso escolher se entro nos pensamentos e sentimentos do personagem ("você acorda com um nó na garganta, ainda triste desde o funeral") ou se fico apenas nas ações e diálogos.

Com este exercício, peço que uma mesma cena seja escrita na primeira pessoa, depois reescrita na terceira pessoa, na terceira pessoa objetiva, na terceira pessoa onisciente e na segunda pessoa. Deste modo experimentamos os limites de cada ponto de vista.

O segundo exercício que geralmente proponho trata de empatia. O primeiro passo é narrar, em primeira pessoa, alguma experiência emocionalmente relevante que envolva outra pessoa. No segundo momento deste exercício, reescrevemos a cena, de novo na primeira pessoa, mas do ponto de vista do outro personagem. Como esse outro personagem agiu e, principalmente, o que pensou e sentiu para dar razão às suas ações? As pessoas usualmente acreditam que têm boas razões para fazer o que fazem, então explicações simplistas como "ele é mau" são insuficientes para esse exercício.

Por meio destes exercícios, auxilio as pessoas a perceberem quais são as limitações do ponto de vista que cada um assume. Isso vale para a ficção e para a vida real.

Que tal experimentar esse segundo exercício com alguma experiência recente para a qual você tem dificuldade em dar sentido?

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