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Bom dia!

Há algumas semanas, prometi uma surpresa aqui na newsletter e ela chegou mais cedo do que eu esperava. Vou contar sobre ela no final deste e-mail.

(Reparou no meu truquezinho para deixar você com curiosidade? Espero que funcione!)

[Reparou na minha metaconversa saindo do texto e explicando a intenção do texto?]

Nesta semana, duas pessoas me procuraram preocupadas em descobrir se tinham "potencial" para escrever. Queriam que eu lesse seus textos e avaliasse se valia a pena seguirem investindo em escrita. Em paralelo, participantes do Círculo (o grupo de encontros semanais do Ninho) estavam preocupadas com não estarem produzindo em quantidade e qualidade "o bastante".

É difícil cuidar dessas situações se não tivermos um olhar cuidadoso para perceber o que está por trás do que estamos perguntando. O que significa ter potencial para escrever? Quanto é o bastante? E mais importante: quem tem o poder de definir essas coisas?

Serei eu o juiz? Por quê? Porque há seis anos mantenho o Ninho? Ou porque tenho um mestrado? Ou porque me formei jornalista? Ou porque publiquei livros? Eu posso usar a desculpa que quiser, o rótulo que escolher, o motivo que definir, continuarei sendo apenas um ser humano como qualquer outro.

Tenho me feito algumas perguntas quando esbarro em questões como essas. Quando aprendi o que considero o bastante? Quem me ensinou? Que oportunidades vivi e deixei de viver por acreditar nisso? Essa crença ainda faz sentido para a vida que desejo levar?

Reconhecer que nossas crenças são localizadas em nossas histórias de vida e se conectam com outras pessoas é algo que pode nos ajudar a perceber que não estamos sozinhos, que não dependemos de autorização externa para existir, que certas histórias não deveriam continuar sendo reencenadas. Em nosso caso enquanto pessoas que escrevem, a falácia de que somente algumas pessoas podem escrever e que só algumas escritas têm valor precisa ser revista. Do contrário, vamos continuar pedindo ajuda a pessoas aleatórias que descobrimos na internet sem avaliarmos o que, de fato, essas pessoas podem contribuir em nossas vidas.

Eu acredito que todo mundo tem o potencial de escrever.
Acredito que "o bastante" é o que quero e consigo produzir.
E que, no caminho, seguiremos aprendendo.
E que aprender às vezes é frustrante e também pode ser delicioso. 
Acredito também que ninguém deve dizer o que os outros são capazes de fazer; pelo contrário, creio que é valioso apoiar quem quer criar para que possam entregar o melhor de si.
Há algumas semanas, propus um exercício para que assinantes aqui da newsletter escrevessem um momento de ação em até 100 palavras. Desde então, tenho comentado aqui um texto por semana e proposto novos desafios, que ganham corpo em textos na publicação do Ninho de Escritores no Medium.

No final desta newsletter compartilharei alguns textos, inclusive aqueles produzidos em resposta ao desafio da semana anterior.

Hoje comentarei o texto de Tatiane Mateus.
Júlia olhou para o vestido branco. Olhou para o noivo suando lá no altar. Não dava.
Saiu em disparada, pegou o primeiro táxi que apareceu.
- Pra onde moça?
- Para o aeroporto, rápido!
De vestido de noiva, entrou no primeiro avião que conseguiu para São Paulo. Outro táxi, a cidade engarrafada às seis da tarde. Não dava.
- Moço, vou descer aqui.
E saiu desembestada pela Avenida Paulista, uma noiva descabelada, a maquiagem borrada.
Chegou no prédio, o porteiro olhando incrédulo.  Esse elevador não chega!
Parou em frente à porta conhecida. Do outro lado, Leonardo.
- Não deu. Era você.
Ele a envolveu nos braços e a beijou.
(Tatiane Mateus)
Os comentários que farei a seguir são leituras a partir de uma perspectiva específica. Eles não dizem nada sobre a capacidade literária de Tatiane, tampouco sobre o que é certo ou errado em matéria de escrita (até porque não acredito nisso):
  • Aprecio a construção de uma cena dinâmica, que envolve uma personagem se dando conta de algo que não faz sentido e agindo para corrigir.
  • Aprecio também que o texto começa e termina nessas 100 palavras, fechando o "não dava" com o "não deu".
  • Uma pergunta que me fiz ao terminar de ler foi: como ela pagou pelo táxi e pela passagem aérea? Embora cenograficamente interessante, o texto me deixou com essa curiosidade prática que arrisca a verossimilhança do que acontece.
  • Gosto como "não dava" se repete no texto, resumindo em duas palavras a urgência desenfreada da personagem. Eu nem sei o porquê das escolhas dela e estou ali torcendo para que ela chegue a algum lugar. A cidade engarrafada? Entendo, não dava mesmo. O elevador não chegando? Também estou junto, não dá, anda logo!
  • Fico me perguntando também por que Leonardo estava em casa. Era o casamento de alguém que, creio, lhe importava o bastante. Gostaria de saber mais sobre como ele recebeu aquele momento, aquela visita. 
Para manter nossos exercícios, desta vez o desafio será o seguinte: escrever um momento de até 100 palavras em que alguém vê Júlia passando vestida de noiva. O que acontece? Qual é a reação desse alguém? O que muda na vida de alguém que vê uma noiva passar correndo?

Para participar, basta enviar seu texto em resposta a este e-mail até 24 de outubro às 17h. Caso tenha um perfil no Medium, por favor inclua também o link para seu perfil, de modo que eu possa marcá-lo na publicação.

Sugestões de leitura

Os textos produzidos em resposta ao desafio da semana passada estão aqui:  Recomendo também os seguintes textos, publicados no Medium do Ninho de Escritores:

Convite para publicação

Os seis textos indicados acima foram produzidos em resposta a propostas que criamos dentro do Círculo do Ninho de Escritores. Temos brincado com propostas semanais para nortear nossa produção, sempre de forma leve e despretensiosa.

Agora decidimos ampliar quem pode participar dessa brincadeira e convidar você, que lê a newsletter, a escrever com a gente também.

Para participar, você precisa ter um perfil no site Medium. A inscrição é gratuita e é um site bacana dedicado à escrita e leitura de textos. Uma "rede social de escritores", por assim dizer. Se você tiver interesse, basta responder este e-mail com o link do seu perfil no Medium. Em resposta, acrescentarei você ao grupo de escritores da publicação do Ninho de Escritores e encaminharei um vídeo ensinando como submeter um texto para a publicação.

A proposta que está aberta no momento é a seguinte:
  • Até dia 29 de outubro
  • Até 1000 palavras
  • Proposta: galocha amarela
Será um prazer abrir esse espaço para você e quem mais quiser escrever conosco.
Tenha uma linda semana!

Tales do Ninho






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