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Bom dia!

Nas últimas semanas, temos feito muitas experimentações dentro do Ninho de Escritores e gostaria de compartilhar um pouco delas com você.

Dentro do Círculo do Ninho, um grupo que se encontra comigo semanalmente por vídeo para pensar e fazer escrita, iniciamos uma proposta de desafios quinzenais. O primeiro tema foi meia furada e já temos dois textos publicados: Além do Círculo, o Ninho também é composto pelo Ninho de Escritoras, um grupo com encontros semanais voltados para mulheres que querem escrever. Geograficamente localizado em Florianópolis, o grupo acolhe pessoas de todos os lugares durante este contexto de pandemia/quarentena.

No Grupo do Ninho no Telegram, seguimos com conversas (por texto) semanais, sempre aos sábados, com trocas de experiências, escritas, opiniões e o que mais couber. É também por lá que partilho outros desafios e por onde marcamos as duas próximas oficinas online abertas do Ninho, que serão:
  • Sexta-feira, dia 2 de outubro, das 20h às 22h
  • Sábado, dia 3 de outubro, das 14h às 16h..
O link para participar ou assistir será enviado para o grupo no Telegram no dia do evento.

Isso tudo e muito mais é o Ninho, esse espaço saboroso e acolhedor para quem quer escrever.

E, dando sequência às leituras de textos e exercícios aqui na newsletter, vejamos mais um texto que foi escrito em resposta ao desafio de escrever um momento de ação em até 100 palavras.
A última corrida 
Ela sentia falta de correr, amanheceu, levantou da cama, vestiu a roupa, relógio e máscara, desceu a escada, abriu o portão e saiu pela primeira vez em meses, correu como a primeira vez na vida, não olhou para trás. Os vizinhos era a natureza que ela havia esquecido, correu forte, puxou o ar, a máscara a sufocava, o coração disparou, o suor escorreu frio, tirou a máscara para respirar, mas era tarde, a vista escureceu, o ritmo caiu, os olhos pesaram, os pensamentos fugiram e a última coisa que sentiu foi a dor do seu corpo ao tocar o chão. (Mônica Machado)
Como tem se tornado costumeiro, oferecerei alguns comentários em relação ao texto. Algo que é sempre importante mencionar é o seguinte: qualquer comentário é sobre o texto, jamais sobre o valor da pessoa que o escreveu. Isso é fundamental de ser compreendido porque o valor de quem escreve não está em questão quando um texto é criticado. Esse valor independe de qualquer produção artística. Compreender isso me parece necessário para lidar com críticas, eventuais rejeições e outros desafios de se fazer arte e receber avaliações.

Aqui estão os meus comentários:
  • Gostei muito da intensidade do texto. Em poucas palavras, muita coisa aconteceu, e aprecio como uma ação leva à outra numa sequência de reações ao que veio antes. Isso me ajuda a perceber um texto orgânico, em que suas partes realmente dão sentido umas às outras.
  • Justamente por isso, estranhei a frase "os vizinhos era a natureza que ela havia esquecido". O texto continuaria fluindo muito bem para mim sem essa parte.
  • Como escritor, eu moveria o trecho "ela sentia falta de correr" para o final da frase. Ficaria assim: "Amanheceu, ela levantou da cama [...] não olhou para trás. Sentia falta de correr". Dessa forma, eu já tenho algo para alicerçar essa frase. Do modo como está, minha primeira pergunta para mim mesmo foi "e por que não correu, se aqui ela corre de máscara, protegida?" Quando a mesma frase vem depois das ações, minha reação é diferente, eu leio a frase como uma explicação para o que veio antes e nem me preocupo em questionar – como sempre, essa é uma leitura minha, não uma regra sobre como textos funcionam.
  • Eu sei que o limite eram 100 palavras. Ainda a ssim, eu gostaria de ver essa mesma cena escrita em mais palavras. Explico: tem tanta coisa acontecendo em tão pouco tempo que fiquei com a sensação de que está apertado, intenso demais, difícil de acompanhar. Isso é algo interessante, considerando o desfecho, muita velocidade causando esse desalinho. Por outro lado, gostaria de acompanhar esse movimento/sofrimento. Testar possibilidades.
E já que eu gostaria de ver essa cena mais desenvolvida, aqui vai o convite de exercício dessa semana: reescrever o texto da Mônica, contando as mesmas coisas, porém desta vez entre 100 a 250 palavras.

Estou curioso para saber o que mudará. Os textos recebidos serão compartilhados no Medium, portanto se você tiver um perfil nesta rede social, não se esqueça de enviar junto com o texto o @ de seu perfil.

Tenha uma excelente semana,

Tales do Ninho






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