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Bom dia!
Semana passada propus um desafio de escrever um momento de ação em até 100 palavras. A partir de hoje e nas próximas newsletters, vou comentar o que recebi para aprendermos juntos com a criatividade das pessoas que decidiram participar.

Caso você queira mais desafios e convites para escrever, o grupo do Ninho no Telegram está aumentando o ritmo das atividades. Você pode participar clicando no link.

Pois vamos às respostas ao desafio!
O motorista havia acabado de parar em um ponto de ônibus para liberar passageiros, quando o garoto entrou na lotação. Subiu rápido as escadas, pulou a roleta e permaneceu em pé, com os braços estendidos e os olhos vidrados. Algumas pessoas, ao identificarem sua presença, começaram a gritar. Uma senhora no banco da frente apertou a bolsa e fez uma oração. Duas meninas, no banco de trás, choravam escondidas. Uma mulher pediu: "Pelo amor de Deus! Tenho filhos pra criar". Um homem idoso falava muito, movimentando as mãos trêmulas. Fez-se, porém, silêncio quando o adolescente sacou do short uma faca. (Suzane Moraes)
O que eu aprecio neste texto é a clareza: desde o início entendi sobre o que se tratava. Parte de mim estava esperando uma reviravolta, uma provocação que me mostrasse que meu olhar estava viciado numa interpretação específica, e querer descobrir se eu estava certo ao interpretar que um assalto estava prestes a acontecer ou se eu estar olhando de forma condicionada foi o que me empolgou a continuar lendo.

O texto entrega um momento de ação, conforme requisitado pelo desafio. Há quatro pontos que eu faria diferentes:
  • Eu começaria o texto já com o garoto entrando na lotação. Por ele ser o foco da ação, quanto antes ele aparecer, mais cedo entenderei sobre o que o texto está tratando. Uma mudança na ordem do texto facilitaria isso: "O garoto entrou na lotação assim que as portas se abriram, subiu rápido...". 
  • A expressão "fez-se, porém, silêncio" me desconectou da agilidade do texto. Provavelmente eu escolheria escrever de outra forma
  • Com base na minha experiência pessoal, estranhei que a reação das pessoas fosse imediatamente o silêncio. Eu imaginaria muito barulho, muitas falas, mesmo que os corpos se mantivessem atentos à faca e não se movessem tanto.
  • A história acontece conforme vamos lendo as palavras. Quando o silêncio acontece antes da faca ser revelada, existe uma pequena quebra de sequência nos fatos. Eu mostraria a faca primeiro, para depois mostrar a reação das pessoas.
Como sempre, esses comentários não são sobre o que é certo ou errado nem bom ou ruim nem o que pessoas deveriam fazer ou deixar de fazer na escrita. Os comentários são sugestões pessoais minhas e prefiro que elas sejam recebidas sempre como convites à reflexão em vez de mandamentos.

Uma das melhores formas de melhorarmos nossa escrita é reescrevendo nossos textos e os de outras pessoas. Por isso, convido você que está lendo este e-mail a propor uma reescrita deste momento que a Suzane criou – respeitando o mesmo limite de 100 palavras. Para participar, basta enviar sua proposta de reescrita em resposta a este e-mail até sábado, dia 5 de setembro.

Tenha uma excelente semana!

Tales do Ninho






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