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Bom dia!

Na semana passada, escrevi sobre como histórias começam e sobre como os conflitos externos e internos mobilizam nossas ações. Em retorno, recebi a seguinte mensagem, que optei por responder aqui pela newsletter:

Ao ler a newsletter de hoje, tive vontade de fazer uma pergunta que pra mim é muito importante, até porque frequentemente me atormenta.

Você disse:
Como contador de histórias e jornalista, eu acredito que o sentido que damos às histórias é uma escolha, portanto eu escolho enxergar a pandemia como uma oportunidade, um convite para a transformação dos nossos modos de interagir e da consciência que mantemos em relação aos nossos atos.
Você acha imoral escrever alguma coisa que não esteja de acordo com suas aspirações mais íntimas de justiça, caridade, benevolência, não violência etc.? Ou você diria que a arte é, graças a deus, uma oportunidade de sermos humanamente terríveis e perversos, pessimistas e trágicos, hediondos e cruéis, sem de fato sermos nada disso, ou, talvez melhor seria dizer, sem manifestarmos isso senão na arte? Chego a me perguntar ainda se isso é sequer possível, quer dizer, se dá mesmo pra ter na mente ideias execráveis sem que isso esteja, em algum nível, também no coração.

O que acha?


No livro A arte de pedir, Amanda Palmer conta sobre o seu liquidificador criativo. Ela diz que artistas recebem diversas referências do mundo e as batem num liquidificador. Alguns batem menos, como ela, e se revelam muito em sua arte. Outros batem mais e entregam uma arte em que é mais difícil reconhecer o humano por trás dela. Uso sempre essa metáfora para destacar algo que acredito: nós sempre estamos naquilo que produzimos, quer isso seja perceptível ou não.

Isso dito, eu faço um recorte muito firme entre o que pensamos e sentimos e aquilo que fazemos. Eu posso sentir raiva, ódio, vontade de destruir. Se com isso eu crio algo capaz de tocar afetivamente outras pessoas, uau! Se com esse mesmo isso eu machuco alguém e interrompo sua vida, creio que é uma outra história.

Percebo na arte, e portanto na escrita, a possibilidade de explorarmos infinitudes que nem por isso precisam ser vividas.

Acredito que é possível criar horrores com nossa imaginação e ainda assim plantar flores. Só com essa crença eu consigo manter minha tranquilidade frente ao mundo. Pratico comunicação não violenta e tenho muitos pensamentos violentos. Eu sou essa incoerência, e por mim tudo bem porque não espero perfeição da humanidade, essa coisa inacabada, continuamente falha e esplendorosamente linda.

Eu não acredito em essência, em algo interior que nos defina enquanto uma pessoa única. Acredito que o ego é uma ilusão (muito convincente) e que todos somos parte um grande organismo vivo maior (mas não sensciente). Acima de tudo, acredito no poder das histórias para dar sentido à existência, então se a história que estou contando para mim não está dando conta de cuidar da minha sanidade, escolho uma história diferente.

Nem todo mundo consegue fazer isso. Eu sequer consigo fazer isso com a frequência que gostaria. E é aí que nascem histórias poderosas sobre a condição humana: às vezes a gente quer algo, mas não consegue porque ainda não aprendeu a conseguir. O processo que uma pessoa passa até aprender é o que chamamos de história.

Como você se sente em relação às histórias que conta de si, para si e para os outros?
Amanhã, terça-feira, dia 31 de março, das 20h às 22h, vou oferecer um encontro online para fomentar conversas profundas entre pessoas que não necessariamente se conhecem. Não tem nada a ver com escrita, mas tem tudo a ver com conhecer outros seres humanos e desbravar seus mistérios.

Se você tiver interesse em participar, inscreva-se neste link: https://forms.gle/VpZiC8BVp1vp7cNf8

É gratuito, é maravilhoso.

Obrigado, e até a próxima semana!






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