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Bom dia!

Uma desculpa para escrever: para muitos de nós, isso é tudo o que é necessário para colocarmos as palavras para fora. Assim tem sido nessas últimas semanas, com desafios e textos e conversas nascendo a partir do que criamos.

Se você tiver ideias de como podemos ampliar esse movimento, não deixe de me contar respondendo a esse e-mail!

Semana passada lancei o convite para reescrevermos o texto de Wanderley Silva recebido como resposta ao desafio da cena de ação. As respostas ao desafio podem ser lidas no texto Concretudes de uma cena de ação.

Nesta semana, daremos continuidade à leitura e comentário a partir do desafio lançado na newsleter #281. Chegamos à vez de Marcos Mancini:
Ele estava sentado em uma cadeira  de couro toda já destroçada pelo tempo e por seus sentimentos gastos com o tempo corrosivo que sua alma estava ali sempre debruçada naquele poço escuro sem fim naquela máquina de escrever corrosiva que fazia seus olhos brilharem seu coração chamuscar e sua mente enlouquecer, ainda estava de ressaca da noite anterior, contemplava o pôr do sol da janela e tomava um trago e fumava maconha, cansou dos cigarros, queria relaxar, queria ser hippie mas seu sangue quente e espírito explosivo não permitem. Se arrepende ás vezes dos atos que faz e das coisas que ocorrem mas não pode impedir que elas ocorram, é uma grande canalhice e falta de vergonha na cara, sentado quase nu apenas de roupão, ali degladiando consigo mesmo naquele maquinário atrasado, o calor no inverno o incomoda, moscas e malditos pernilongos rondam a janela e entram com o seu zumbido infernal, seus gato correm alucinados atrás e e ele não posta porra nenhuma em redes sociais mas escrever sem esperança aguardando viver dessa literatura que o salva e o condena, sua cabeça estoura ainda pelo álcool que sai por seus poros relembrando os acontecimentos de ontem. Bares imundos, prostitutas bêbadas e vagabundos enchendo seu saco enquanto ele estoura tacos de sinuca em suas faces nojentas e sendo chutado para fora enquanto chovia voltando fumando um cigarro no seu apartamento imundo com aluguel atrasado. (Marcos Mancini)
Aqui vão meus comentários sobre o texto de Marcos:
  • Aprecio o texto denso, que me passa uma sensação lodosa, de dificuldade de respirar porque a ação não é interrompida senão depois de muitas linhas. As três longas frases que compõem esse parágrafo deixaram-me querendo um ponto final o quanto antes para que eu pudesse recuperar o fôlego na leitura.
  •  Um cuidado importante em todos os textos que escrevemos é a consistência do tempo verbal. O texto começa no passado ("Ele estava sentado") e na segunda frase muda para o presente ("Se arrepende"), o que pode gerar um estranhamento por não dar continuidade ao que vinha acontecendo. Se acredito que tudo o que está escrito é intencional, me perco buscando um significado que ajude a compor o texto.
  • Um risco de textos desta natureza é que eles cansem o leitor justamente por exigirem dele doses de atenção e fôlego maiores do que o usual. Com uma frase curta, tenho permissão – na verdade, até mesmo convite – para pensar sobre seu significado. Quando tenho frases longas, esse momento de parar e refletir pode se perder. A vida às vezes é assim, então esse é um recurso que podemos utilizar com ciência.
Quando li o texto de Marcos pela primeira vez, fiquei com a impressão de que ele havia sido escrito inteiro em apenas uma frase. Gostei da ideia, por isso o convite para o desafio da semana é o seguinte: escrever uma cena inteira entre 100 e 200 palavras em uma única frase.

Para enviar seu texto, basta responder a este e-mail até sábado, dia 17 de outubro, às 17h. Caso você tenha um perfil no Medium, envie seu @ também para que eu possa marcar você na publicação.

Obrigado e até a próxima semana!

Tales do Ninho






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