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Bom dia!

Quero começar esta mensagem compartilhando o tanto de coisa boa que aconteceu na última semana: Caso você esteja estranhando a prevalência de meias furadas, esse foi o tema para um desafio que propusemos no interior do Círculo do Ninho, o grupo que se reúne semanalmente a partir de São Paulo. Aos poucos vamos aumentando o alcance desse convite: o próximo passo é incluir o grupo de escritoras que se reúne a partir de Florianópolis. A minha esperança é que tenhamos energia e disposição para receber e cuidar de textos também do grupo do Telegram e aqui da newsletter – mas estamos caminhando aos poucos. Mais novidades por vir!
Há várias semanas, lancei o desafio de receber cenas de ação com até 100 palavras. Hoje veremos o texto de Wanderley Silva.
Caminhos
Chovia, fino e constante. Ao volante, a obrigação, imperativa, o fazia seguir, apesar de tudo. O pensamento, lento como o trânsito, vagava. O trânsito, agonizante como o sentimento, arrastava-se. Era urgente chegar, mas impossível seguir. No cruzamento, a luz vermelha o estancou de vez. Olhou em volta. Notou, bem ao lado, uma vaga. Uma oportunidade? Hesitou, mas estacionou e saiu caminhando. Na esquina, decidiu pela outra direção. Agora, eram seus passos que o faziam seguir. E seguiu. O pensamento ia tornando-se outro e já conseguia olhar além. Percebeu que não mais chovia. E, à frente, havia o caminho. (Wanderley Silva)
Como sempre, um lembrete: meus comentários não são verdades e tampouco falam da qualidade da pessoa que escreveu o texto. Minha intenção com o que comento é partilhar o meu jeito de ler o texto na esperança de apoiar outras pessoas que desejam sustentar a escrita em suas vidas.

Aqui vão meus comentários:
  • Gostei muito do ritmo do texto, que é (literalmente) pontuado pelas vírgulas e frases curtas. Embora eu tipicamente aprecie mais textos cuja narrativa flua de forma mais livre, encontrei neste texto uma boa razão para o texto ter um ritmo mais lento. Da forma que o leio, percebo a linguagem apoiando a sensação de estranhamento e dúvida que o personagem vive.
  • Fiquei em dúvida sobre o que estava acontecendo com o personagem. Que obrigação? Por que o pensamento vagava? Era urgente chegar aonde?
  • O texto traz uma poética que depende do abstrato – o caminho, a chuva que para, olhar além. Nenhuma dessas expressões me diz o que está acontecendo de fato. Está tudo bem não dizer, porque não era a proposta do texto. Ao mesmo tempo, eu não consegui me conectar muito com o que estava acontecendo porque poderia ser tantas coisas – talvez qualquer coisa.
Após esses comentários, convido você a se envolver e reescrever a cena de Wanderley, porém com até 200 palavras e incluindo um personagem concreto, com motivações e anseios específicos.

Para enviar o texto, basta encaminhá-lo em resposta a este e-mail até sábado, dia 10 de outubro, às 18h. O texto poderá ser comparitlhado no Medium do Ninho ou aqui na newsletter. Caso você tenha um perfil no Medium, por favor envie também o @ de seu perfil para que eu possa marcar você na publicação.

Obrigado, e tenha uma boa semana!

Tales do Ninho






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