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Oi, aqui é o Tales do Ninho.

Atualmente o principal projeto do Ninho é o Círculo, encontro para quem deseja escrever que acontece semanalmente nas quintas à noite em São Paulo e tem uma versão quinzenal apenas para mulheres em Florianópolis.

Para que o encontro funcione, nós temos algumas regras. Elas foram elaboradas ao longo desses últimos cinco anos com o objetivo de criar ambientes seguros para a expressão, experimentação e troca entre participantes. Nesta newsletter, vou compartilhar algumas delas.
 

Não se depreciar

"Eu não sou bom nisso", "eu não sei escrever", "eu só faço merda". Nada disso é permitido dentro do Círculo. O motivo é simples: essas falas são interpretações e avaliações que criam uma imagem pessimista de nós mesmos. Ocorre que um Ninho é um espaço de realização de sonhos, um espaço em que podemos ousar sermos nossas melhores versões.

Você não precisa dizer que é ótimo, que sabe tudo ou que só faz maravilhas. Você pode assumir algo mais próximo da realidade: "eu quero aprender a escrever melhor", "eu admiro tal técnica e gostaria de fazer parecido", "eu ainda não estou confortável com meu nível atual de habilidade".

Em vez de criar um poço de lamentações ao nosso redor, no Ninho nós fazemos a escolha de ver o mundo a partir de uma lente positiva.
 

Não se justificar nem se desculpar

Nós somos a única coisa que podemos ser, momento a momento. Não importa dizer "se eu tivesse mais tempo...", porque você não teve, quer porque escolheu outras coisas, quer porque esqueceu, quer porque a vida se atravessou no caminho. E está tudo bem. No Ninho, nós acolhemos o que está diante de nós, não o que gostaríamos que estivesse.

É por isso, também, que em nossos processos de revisão de textos a pessoa que escreveu fica em silêncio, apenas ouvindo o que é comentado sobre o que ela escreveu. Afinal, falamos sobre o que está escrito e o que está sendo lido, não sobre o que a pessoa gostaria que os outros entendessem.

No Ninho, escolhemos ficar no presente.
 

Não ser violento

Verdade seja dita, eu costumo apresentar essa regra como "não ser escroto". A ideia é simples: já vivemos num mundo cheio de pessoas que aprenderam que diminuir ou atacar as outras é uma atitude aceitável. Dentro do Ninho, escolhemos cuidar em vez de destruir e incentivar em vez de diminuir.

Na prática, além da obviedade de não xingar os outros, cuidamos para não cair nos binários de certo e errado, bom e ruim, deveria e não deveria, padrões de pensamento que encaixotam pessoas em armadilhas de pensamento que com frequência produzem desconexão e sofrimento.
 

Falar na primeira pessoa do singular

Ninguém é capaz de falar a partir da experiência de outras pessoas, e ainda assim fazemos isso o tempo inteiro. Viu? Acabei de fazer isso na frase anterior. Dentro do Ninho, faço o convite para que experimentemos assumir a responsabilidade pelo que queremos, escolhemos, falamos e escrevemos. "Eu quis", "eu vivi", "eu acho", "eu pensava que".

Eu, sem presumir que a minha experiência é também a de outras pessoas. Já é tão difícil pra mim estar consciente dos meus próprios quereres, que dirá da humanidade inteira. Vou até reescrever o parágrafo anterior: eu não sou capaz de falar a partir da experiência de outras pessoas, não estou na cabeça delas, falho consistentemente quando tento e ainda assim tento o tempo inteiro porque foi como eu aprendi a pensar e a falar. Quando lembro, procuro alternativas.
 

Trocar o "mas" pelo "e"

"Ontem choveu, mas o dia estava bonito". Essa é uma frase comum que expressa dois valores opostos. O que acontece se os dois valores não forem considerados opostos? Se a beleza também estiver relacionada à chuva? Esse é o exercício com o qual brincamos quando assumimos o "e" no lugar do "mas". "Ontem choveu e o dia estava bonito". "Eu tive pouco tempo para escrever e o resultado me agradou". "Estou triste e quero continuar aqui".

Dá pra fazer isso sempre? Não sei e quero descobrir. Escolho fazer isso porque acredito que o "e" amplia possibilidades enquanto o "mas" parece frequentemente reduzi-las. 
 

Pode tudo, não tem que nada

No Ninho, as pessoas são livres para serem quem elas quiserem ser. Precisa ir ao banheiro ou chegar uma hora depois do horário? Pode tudo. Tem que seguir as regras do exercício? Não tem que nada. São escolhas que fazemos a cada momento.

O convite dessa regra, contudo, não é para uma liberdade sem consequência nem consciência. Chegar uma hora atrasado no encontro interfere no fluxo do encontro. O que você escolhe fazer sabendo disso? Não seguir as regras dos exercícios propostos vai levar o grupo para viver outras experiências. O que você escolhe fazer sabendo disso?

No Ninho, nós somos livres para escolher e nos responsabilizamos por nossas escolhas.
 

Ser exuberante

Aqui é menos uma regra e mais um convite. Encontro muitas pessoas machucadas, desacreditadas, carentes por um espaço que as acolha com carinho e cuidado. Aos poucos, conforme essas pessoas descobrem que esse espaço existe, vão se recuperando, ganhando vida, voltando a colocar no mundo as preciosidades que estavam afogadas em si mesmas. Elas exuberam.

Eis o convite do Ninho: seja exuberante desde o momento em que sentir que é possível. é assim, acredito, que outras pessoas também provarão um gostinho do que significa estar perto de alguém que vive, cria e é um espaço seguro.
Essas são algumas das regras e acordos e compõem o Ninho. Venho experimentando-as também fora dos encontros e afirmo sem medo: o quanto elas têm contribuído para melhorar minha qualidade de vida!

Que tal fazer da sua vida cada vez mais um ninho para você e também para as outras pessoas?

Abraços!






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