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A 29ª newsletter do RelevO: Masaccio & Masolino, cegueira facial e futebol com motos
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edição #29 – 16 de fevereiro de 2016
editor Matteus Ribbeirette  editor-assistente Luccas Leitte
projeto gráfico Marccelli Menggardda   revisão Danniell Zannela
BOM DIA, leitor da Enclave — a newsletter que, sem saber que era impossível, foi lá e não fez. Eis nossa 29º edição, a qual você é desde já convidado a repassar, divulgar, responder, sugerir, criticar, imprimir e então verificar que a impressora não funciona. Gostamos de montar a Enclave, mas gostamos ainda mais quando nossos milhões de fãs a repassam para outros milhões. 

O ótimo RelevO de fevereiro está disponível aqui.
 
***

Rodopios mentais de hoje:
– O nome completo de Brian Eno
é 
Brian Peter George St. John le Baptiste de la Salle Eno. Talvez isso explique a busca musical pelo mínimo.
– Nós não acreditávamos, mas o nome completo do Akon 
é Aliaune Damala Bouga Time Puru Nacka Lu Lu Lu Badara Akon Thiam. Neste vídeo, comentários do próprio.
– Dessa forma, podemos montar um time de futebol com os nomes dele. Aliaune como goleiro; Damala, Bouga, Time e Puru na linha defensiva; Lu, Lu e Lu fechando o meio-campo; Badara, Akon (c) e Thiam no ataque.
(– Charlie Sheen se chama Carlos Irwin Estévez; seu pai, Martin "Apocalypse Now" Sheen, Ramón António Gerardo Estévez.)
– Infelizmente, Brian Eno ainda não produziu um disco de
Akon.
Isso, amigos, é exatamente o que parece
 
#1 Motoball: futebol com motos, oras. A partida se divide em quatro tempos de vinte minutos, e o goleiro, em cuja área não entram motos, pilota nada além das próprias pernas. Por sua vez, a bola é visivelmente grande – são 40 centímetros de diâmetro – e cada equipe totaliza quatro jogadores de linha. França, Alemanha e alguns países eslavos apresentam tradição respeitável na modalidade, transformando o Motoball no que temos de mais próximo ao Rocket LeagueAqui, uma bela galeria de fotos na báltica Lituânia, e aqui, vídeo de uma partida – definitivamente vale a pena. Já neste link, um helicóptero brincando de skate, pois não há nada tão estranho que não possa ser estranho como um helicóptero brincando de skate.

#2 A igreja de Santa Maria del Carmine, em Florença, abriga um dos mais valiosos registros do início do Renascimento italiano. Na Capela Brancacci estão os afrescos de Masaccio e Masolino, realizados entre 1424 e 1428. A obra completa consiste em 10 painéis que contam episódios da história de São Pedro – coletando dinheiro do tributo, administrando um sermão, curando pessoas com a sua sombra, fugindo da cadeia, etc – mais duas pinturas nas pilastras de entrada mostrando a Tentação e subsequentemente a Expulsão de Adão e Eva do Paraíso

Sobre o ciclo da vida de São Pedro, talvez falemos em outra ocasião. O Pagamento do Tributo é uma obra canônica, marcada pelo uso sistemático da perspectiva linear e realismo da composição, e com certeza figurará em algum texto futuro. Dessa vez, o foco cabe aos afrescos de Adão e Eva.


A Expulsão de Adão e Eva do Paraíso, de Masaccio, à esquerda, e A Tentação de Adão e Eva, de Masolino, à direita

Ainda que semelhantes em estilo, as pinturas diferem bastante na abordagem das cenas. Masolino pinta o Céu. Seus personagens esbeltos parecem não ter peso, seus olhares estão serenos e sua nudez é também leve, despreocupada. Até a paisagem limitada – a árvore com o fundo escuro – contribui para a sensação de paz. Mas ali há também o diabo. A serpente com rosto de mulher mostra a tentação da maçã proibida que provocará a expulsão do casal do Paraíso e o advento do pecado original.

Para isso, Masaccio pinta a angústia, a culpa, a dor, a vergonha, enfim, o peso dessa decisão ao retratá-los sendo perseguidos para fora do Reino de Deus. Adão leva as mãos ao rosto, enquanto Eva, com uma das expressões mais perturbadoras já pintadas na arte ocidental, cobre seus seios e genitália, com um pudor antes ausente. Ambas as figuras sentem claramente a força da gravidade, são puxados para o chão ao descerem à Terra e nem de longe remetem à tranquilidade do primeiro quadro. São perseguidos pelo arcanjo Miguel, que empunha sua espada enquanto flutua sobre nuvens avermelhadas, que contrastam com o azul intenso do fundo. Esse anjo, e toda a cena, foram fonte direta de inspiração para Michelangelo ao pintar a mesma cena no teto da Capela Sistina.
 


Michelangelo incluiu Masaccio no teto da Capela Sistina 

Extra: Os afrescos chegaram a ser censurados com folhas desenhadas por cima das áreas de nudez, mas uma restauração em 1990 retornou as obras ao seu estado original (além de fazer um belo trabalho de limpeza, ressaltando as cores da pintura). 


Pré e pós-restauração

 
#3 Algumas pessoas têm dificuldade em reconhecer rostos. Confundem pessoas; não lembram de traços; descrevem características faciais sem qualquer precisão. Outras não reconhecem rostos de maneira alguma, isto é, nem de familiares, nem de grandes amigos, e, em alguns casos, nem delas mesmas. À cegueira facial – um problema cognitivo sério – dá-se o nome de prosopagnosia.

Quem sofre de prosopagnosia pode não apresentar nenhum outro problema de visão, muito menos intelectual. É possível até que algumas delas
vejam partes específicas, como nariz, boca e olhos. Entretanto, rostos como um todo não são reconhecidos – e você imagina as complicações sociais que isso pode causar, ainda mais em uma criança.

O problema pode ser causado por meio de uma lesão na área fuseforme de faces do cérebro, ou FFA (termo que não significa nada para nós, mas vai que te liga a outras informações). Também pode ser simplesmente congênito, fazendo com que alguém passe a vida inteira sem entender como é reconhecer um rosto. Não há tratamento efetivo ou cura: para lidar com a prosopagnosia,
a escapatória é se atentar aos cabelos, vozes, roupas e linguagem corporal

E,
reza a lenda, Brad Pitt apresenta sintomas.


#4 Tacoma Narrows Bridge. Para entender o que se passa, revisite a Enclave #3

Jimmy Fallon x Josh Radnor "Ted Mosby";
Chad Smith (Red Hot Chili Peppers) x Will Ferrell; [bônus]
Natalie Portman x Keira Knightley;
Rogério Ceni x Luciano Huck;
Ben Kingsley x Patrick Stewart;
Jeff Bridges x Kurt Russell;
Jessica Chastain x Bryce Dallas Howard; [bônus
Ian Somerhalder x Rob Lowe;
Salma Hayek x Penélope Cruz
Larry David x Carlos Bianchi;
Marilyn Manson x Nicolas Cage;
Daniel Radcliffe x Elijah Wood;
Daniel Zanella x Andryi Voronin;

Nossa preferida, pela absoluta falta de conexão:

Juanfran (lateral, Atlético de Madrid) x Sean Gullette como Max Cohen, matemático doidão de Pi (Darren Aronofsky, 1998).
"Mas qual foi o [técnico] mais difícil, aquele que quase te fez chutar o balde?
ROMÁRIO: Teve o Gílson Nunes, que me cortou da seleção sub-20 antes do Mundial de 85. Ele não foi firme comigo. Confiou num papo de um supervisor. O cara entrou numa sala no hotel em que estávamos concentrados em Copacabana. Eu, Müller e Denílson estávamos realmente mexendo com as meninas que passavam lá embaixo. O tal supervisor deu o flagrante no Denílson e no Müller, pois eu estava no banheiro na hora. No fim, só eu fui cortado da seleção.

E o Vanderlei Luxemburgo?
ROMÁRIO: Foram apenas seis meses de relacionamento. Ali a gente errou por igual. Eu estava voltando ao Rio, tinha sido campeão do mundo. Tinha 28 anos e achava que podia tudo. E o Vanderlei, já naquela época, se achando o melhor técnico do mundo. Ele queria me confrontar. Queria aparecer mais do que algumas pessoas, no caso eu. Tivemos um comportamento egoísta. Ele se prejudicou, eu me prejudiquei e acabamos prejudicando o Flamengo.

E qual foi seu pior treinador?
ROMÁRIO: Cláudio Garcia. Esse treinador é uma merda. Desculpe a expressão, até tinha prometido à minha mulher que não ia falar palavrão, mas não aguento. Era uma merda.

Já saiu no tapa com treinador?
ROMÁRIO: Cara, uma vez o Evaristo de Macedo me chamou para porrada dentro do vestiário do Maracanã. Não fui porque eu ia matar ele de porrada.

E como terminou?
ROMÁRIO: Falei para ele se adiantar. Hoje, é meu amigo. Foi bom treinador, uns dos poucos bons treinadores que tive.

E por que o Evaristo quis brigar?
ROMÁRIO: Agora, não me lembro. Acho que foi alguma coisa que ele falou e eu rebati. Gostava dele. Este problema nos aproximou. Éramos muito francos um com o outro. Ele me xingou muitas vezes e eu xinguei ele também. Mas sem faltar com respeito... (risos)"

Romário, 2010 (FONTE)
Nada.
 
 
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