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A 24ª newsletter do RelevOMundaneum, Voyager e Arvo Pärt
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edição #24 – 19 de novembro de 2015
editor Mateus Ribeirete  editor-assistente Lucas Leite
projeto gráfico Marceli Mengarda   revisão Daniel Zanella
BOM DIA, leitor da Enclave — o Oswaldo Cruz das newsletters.

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– O RelevO de novembro, dedilhando nosso novo projeto gráfico, pode ser conferido aqui. 
– Tenha uma ótima leitura, e lembre-se: cada vez que você não recomenda a Enclave, alguém invade seu espaço pessoal em uma fila.

#1 O advogado Paul Otlet, nascido no século 19, era ambicioso. Eu disse ambicioso? Esse belga tomava ambição no café da manhã; fervia confiança na chapa e a devorava com um molho sabor Projetos Cabulosos. Isso porque, em um misto de Wikipédia com Bioshock, ele  visava a catalogar todas as informações de nosso planeta, armazenando-as em cartas índice, por sua vez guardadas em gavetas como as da foto acima.

O projeto, intitulado Mundaneum, foi idealizado com Henri La Fontaine em 1895, e posto em prática em 1910. A ideia final era fazer do Mundaneum o centro de uma cidade arquicabulosa projetada por Le Corbusier. A instituição, então, continha pesquisadores e arquivadores que coletavam as informações que julgassem relevantes, catalogando-as em um sistema numérico sugerido pelo próprio Otlet e reproduzido nas bibliotecas até hoje (a atribuição de um número a uma área – vamos supor, bioquímica: 321.123 / 444 –, vem daí, uma adaptação da Classificação Decimal de Dewey).

Na década de 1930, o Mundaneum já ocupava 150 salas do 
Palais du Cinquatenaire, em Bruxelas, atraindo milhares de visitantes, os quais podiam tirar dúvidas sobre temas que se deslocavam da higiene bucal às finanças da Bulgária. O projeto recebia um bom investimento por parte de La Fontaine, que já havia conquistado o Nobel da Paz. Por fim, a história se torna mais interessante ao sabermos que Paul Otlet sonhava em transformar sua criatura em uma rede que os cidadãos poderiam acessar de suas próprias casas.

A essa altura, o governo já estava de saco cheio de tanto espaço para pouco retorno, e basicamente despejou o pioneiro. Sua equipe foi reduzida a um grupo de voluntários, e sua residência esteve empilhada de papeis e mais papeis. Otlet morreu em 1944, e a Segunda Guerra Mundial certamente não ajudou a conservar o material todo. Sua influência na consolidação de redes, e, consequentemente, da internet, é imensa.

Em Mots, ainda na Bélgica, há 
um museu em homenagem a essa biblioteca Borgiana.
#2 Lançadas pela NASA em 1977, as sondas Voyager não têm destino específico. Após obterem imagens de Jupiter, Saturno (entre elas a célebre foto do Pálido Ponto Azul), Urano e Netuno, as sondas, pegando carona em efeitos estilingue ao redor dos planetas, seguirão para fora do sistema solar, explorando o espaço interestelar. Na verdade, a Voyager 1 já o fez em 2013 e a Voyager 2 também sai logo, porque cada uma tomou um caminho diferente. São os dois objetos humanos mais distantes da Terra. Para se ter uma noção da distância, a luz – ou qualquer onda de rádio – demora 37 horas para cruzar esse espaço. Este site tem todas as informações – em tempo real, inclusive – sobre esses projéteis em forma de antena.
 
Trajetória das sondas

A expedição foi descrita por Carl Sagan como uma garrafa jogada ao oceano, e pode ser a única maneira pela qual faremos contato, ainda que indireto, com outras civilizações. A mensagem dentro dessa "garrafa" são os Discos de Ouro, cujo conteúdo foi selecionado por um comitê do qual participou o próprio Sagan. Lá estão registros diversos da vida na Terra e dos conhecimentos científicos dos humanos, gravados em discos literalmente feitos de ouro.

Entre o conteúdo dos discos estão saudações em 55 línguas diferentes, 116 imagens entre fotos do cotidiano e de avanços tecnológicos e esquemas didáticos da nossa ciência, ondas cerebrais, gravações de sons da natureza, músicas de diversas culturas e épocas – da 'Quinta Sinfonia' de Beethoven a 'Johnny B Goode' – além de, claro, uma mensagem do presidente dos Estados Unidos, Jimmy Carter.

 
Capa do disco de ouro

A galeria completa de imagens pode ser vista clicando aquienquanto grande parte das gravações está nessa playlist, mas esteja avisado: o risco de cair num humor altamente reflexivo é grande.

#3 O estônio Arvo Pärt, um dos compositores vivos mais tocados no mundo, tem sua popularidade confirmada principalmente por seus trabalhos utilizados no cinema, como é o caso de 'My heart’s in the Highlands', canção-poema do escocês Robert Burns musicado por Pärt e utilizado no longa-metragem A Grande Beleza. No entanto, Arvo também aparece como elo temporal do tradicional canto gregoriano católico, o qual tem seu início em meados do século 6, e o estilo tintinnabuli, criação própria.

A técnica de
Tintinnabulation consiste na utilização de apenas três notas musicais, as quais seriam usadas e reutilizadas, juntamente com o canto que, por sua vez, seria unificado ao som das notas, gerando uma ligação que beira o metafísico. Um estilo um tanto complexo, ou ao menos esquisito. Para se explicar tão rapidamente, porém, recorramos ao próprio Criador:

Tintinnabuli é a conexão matematicamente exata de uma linha para outra... tintinnabuli é a regra em que a melodia e o acompanhamento (de voz) são um. Um mais um, isso é um – não é dois. Esse é o segredo da técnica.

Esse viés da produção do estônio começou em 1976, com Fur alina e teve continuidade em Spiegel im Spiegel, de 1978. Apesar disso de serem as primeiras obras, há quem diga que as composições essencialmente inspiradas nos cantos gregorianos aparecem mais à frente, com Passio e Te Deum.

Por conta de todo o hermetismo ao redor do estilo, a obra de Pärt é definida por alguns como minimalista ou mesmo mística, definições que parecem não agradar ao compositor. Outras avaliações, entretanto, distinguem as composições tintinnabuli de Pärt como músicas pós-modernas, ao passo que suas raízes no longínquo canto gregoriano fazem conexões com novas tendências, e mesmo com mídias populares.

Dificuldades de entendimento à pärte, o que se pode garantir é que Arvo Pärt vale o play, seja por sua conexão espiritual, por seu regresso à tradição ou mesmo por sua barba, que de sonora não tem nada, mas é linda. 


"Nooooobody saaaid it was eeeeeaaasyyyyy..."
 

[por Mateus Senna]

#4 Para este quarto hipertexto, re-editamos (com faixas bônus no Japão) o primeiro texto da primeira edição da Enclave, de quando ainda éramos bebês e não tínhamos o número estrondoso de assinantes de que dispomos hoje. Aproveitem.

 


"Arte"

Abriu as portas em julho de 1937, em Munique, a Exposição de Arte Degenerada. Organizada pelo Partido Nacional Socialista, o intuito era mostrar ao público o que havia de errado e “degenerado” na arte da época: distorções de perspectiva, abstração, ecletismo cultural, e, enfim, uma arte “débil mental e de um infantilismo pictural”, segundo o teórico nazista Albert Rosenberg. A coleção, um apanhado de quadros e esculturas confiscados de 32 museus alemães, contava com nomes como Picasso, Chagall, Kokoschka e Kandinsky, além de diversos outros artistas das vanguardas da virada do século. As obras eram expostas de maneira caótica, acompanhadas de textos críticos e ridicularizações. Algo como uma sessão dos "Dois Minutos de Ódio" do romance 1984.
 


O Führer visita a exposição

Ao mesmo tempo, no outro lado da cidade, acontecia a Grande Exposição de Arte Alemã, a exposição da arte “certa”. Nela, destacavam-se os temas heroicos, depicções idealizadas de arianos puros e o enaltecimento da escola neoclássica e do academismo. Hitler, no discurso de inauguração, disse que “estamos mais interessados na habilidade do que no intuito”. Um dos grandes símbolos é o quadro Os Quatro Elementos, de Adolf Ziegler.
 


Os Quatro Elementos de Ziegler, pintor preferido de Hitler

I. Ex-integrante do Steppenwolf ou gângster da década de 1920?
1. Bam Bamm Shibley
2. Frankie Banali
3. Don Coenen
4. Goldy McJohn
5. Nick St. Nicholas
6. Tommy Holland
7. Robbie Roberti
8. George Biondo
9. Jamie James
10. Tony DeSanti

II. Ex-integrante do Steppenwolf ou jogador do Manchester United?
1. Wayne Cook
2. John Hall
3. Evan Smith
4. Gary Link
5. Tim West
6. Les Dudek
7. Larry Green
8. Steve Fister
9. Ron Hurst
10. Bob Simpson

III. Ex-integrante do Steppenwolf ou pirata famoso?
1. Armond Blackwater
2. Lawrence Hammock
3. Rushton Moreve
4. Jimmy Hunter
5. Larry Byrom
6. Danny Ironstone
7. Michael Monarch
8. Rocket Ritchotte
9. Peter McGraw
10. Rob Black

IV. Ex-integrante do Steppenwolf ou astronauta?
1. Mark Frere
2. Dick Jurgens
3. Jerry Edmonton
4. Alan Herron
5. Paul Nauman
6. Ruben DeFuentes
7. Geoff Emery
8. Kent Henry
9. Welton Gite
10. Steven Palmer

V. Ex-integrante do Steppenwolf ou personagem de Stephen King?
1. Andy Chapin
2. Danny Johnson
3. Rick Reed
4. Bobby Cochran
5. Jack White
6. Chad Peery
7. Kurtis Teel
8. Brett Tuggle
9. Nick Graham
10. Tony Flynn

VI. Ex-integrante do Steppenwolf ou Qualquer Outra Coisa?
1. John Kay
2. Michael Palmer
3. Rene Bernard
4. Daniel Zanella
5. Steve Riley
6.
Jerry Posin
7. Tom Pagan
8. Michael Wilk
9. Paul Conroe
10. Herman Hesse



GABARITO
I. Todos são ex-integrantes do Steppenwolf.
II. Todos são ex-integrantes do Steppenwolf, exceto 4 e 9, que tocam no Steppenwolf.
III. Todos são ex-integrantes do Steppenwolf.
IV. Todos são ex-integrantes do Steppenwolf.
V. Todos são ex-integrantes do Steppenwolf, exceto 2, que toca no Steppenwolf.
VI. Todos são ex-integrantes do Steppenwolf, exceto 1 e 8, que tocam no Steppenwolf; 4, que edita o Jornal Relevo; e 10, que escreveu o romance Steppenwolf e é parcialmente culpado.

(Fonte)
"Ciência por si só não produz panaceia para males individuais, sociais ou econômicos. Ela pode ser eficaz no bem-estar social como parte de um time, sejam as condições de guerra ou de paz. Mas sem progresso científico, nenhuma quantidade de conquistas em outras direções pode garantir saúde, prosperidade e segurança enquanto nação do mundo moderno."

Vanevvar Bush, 1945.
(
FONTE).
"Ao mesmo tempo, o exército do rei Charles VIII da França avançava seu exército em direção à Itália", é..., deixamos passar. Obrigado, Vitor de Lerbo!
Desgraçado.
 
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