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A 32ª newsletter do RelevO: como identificar pintores
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edição #32 – 7 de abril de 2016
editor Mateus Ribeirete  editor-assistente Lucas Leite
projeto gráfico Marceli Mengarda   revisão Daniel Zanella
BOM DIA, leitor da Enclave — a newsletter que dá dois passos para trás e três para frente. Depois um para a esquerda e três para a direita, e então pisa uma vez em frente, duas na esquerda, outras duas na direita, duas na esquerda de novo, quatro para trás, oito para frente, sete para a esquerda só com a perna direita e três para a direita com a perna esquerda. Por fim, dois pulos para trás de pernas juntas, caindo em demi-plié, e um à frente, finalizando em base paralela e guarda de combate.

O mais que recente Jornal RelevO de abril está disponível aqui.

Na especialíssima edição da Enclave de hoje, com tiragem de apenas 6 milhões de bits, mudamos o formato para valorizar a lista mais interessante já feita por este grupo de inúteis que vos dirige a palavra. Trata-se de um guia para reconhecer de pintores e suas obras. A ideia surgiu
deste belo link e foi desenvolvida por Lucas Leite. Voltaremos ao normal na próxima edição. No momento, é hora de reformular. É hora de mudar ou mudar de vez – vamos colocar o castelo de areia abaixo. Abaixo. E iniciar uma construção sólida para 2010. África do Sul não é assim tão longe, é logo ali. Caso contrário seremos comida de leões. A África do Sul é logo ali. Cannavaro. Totti. Zambrotta.

Faça bom uso, raro leitor!
Se for um retrato cuja única iluminação parece vir de uma lâmpada fraca, é Rembrandt

Se tiver um monte de anjos, nuvens e pássaros que se parecem, é Boucher

Mulheres idealizadas e cuidadosamente desenhadas, com os pés assim...

...é Botticelli

Se todo mundo for bundudo, é Rubens

Personagens mitológicos vestidos em cores vibrantes, dançando e parecendo estátuas ao mesmo tempo: Poussin

Cores foscas e contrastantes, corpos alongados, com um céu turbulento atrás, é El Greco (não confundir com Lagreca)

Cores foscas, atmosfera sombria e perspectiva "torta": Tintoretto

Vista de Veneza com pessoinhas que, olhando de perto, não têm rosto, é Canaletto

Se homens e mulheres forem igualmente bombados: Michelangelo

Imagem de história em quadrinhos ampliada até mostrar os pontinhos da impressão das cores, é Roy Lichtenstein

Se for uma cena cotidiana, no canto de um quarto, com a luz entrando pela esquerda, é Vermeer

Se for uma cena moderna noturna com personagens solitários que não se comunicam, é Edward Hopper

Se tiver bailarinas, é Degas

Se for uma cena altamente dramática, teatral, com fundo escuro e personagens em primeiro plano bem iluminados, é, claro, Caravaggio

Se for uma cena mitológica, realismo quase fotográfico, mulheres nuas e alvas, (quanto mais, mais provável de ser) Bouguereau

Quadrados coloridos, é Rothko

Se for uma versão melhorada das pinturas de sua tia, é Renoir

Se personagens bíblicos tiverem estes olhos puxados, é Giotto

Se forem cenas bíblicas com personagens rígidos, austeros, quase cinza de tão pálidos, é Piero Della Francesca

Se as pessoas na cena parecerem emitir luz própria, é Manet

(obs: vê aqueles desenhos na parede? São um quadro do próprio Manet, uma gravura de uma tela de Velázquez e uma estampa japonesa, à moda na época)

Se corpos nus flutuarem em fundo bege, Egon Schiele

Se abusar de retângulos, é Malevich
 
Se o cenário for bucólico e indígena, com cores vibrantes, é Gauguin

Se acabou de explodir, é Pollock

Se houver pessoas atormentadas com rostos severamente desfigurados, em grupos de três, é Francis Bacon


Se a pintura for claramente bidimensional, com figuras em traços finos sobre um fundo sólido: Paul Klee

Se forem retratos cujos rostos parecem máscaras africanas, geralmente sem pupilas nos olhos, é Modigliani

Se você estiver invadindo a privacidade, é Lucien Freud

Se as pessoas estiverem achatadas ao longo de uma igreja enorme, é Saenredam

 
"Por motivos espirituais (os imperativos da evangelização), linguísticos (os obstáculos multiplicados das línguas indígenas), técnicos (a difusão da imprensa e a expansão da gravura), a imagem exerceu no século XVI um papel notável na descoberta, na conquista e na colonização do Novo Mundo. Por ser a imagem, junto com o texto, um dos instrumentos maiores da cultura europeia, a gigantesca empreitada da ocidentalização que se abateu sobre o continente americano assumiu – ao menos em parte – a forma de uma guerra de imagens que se perpetuou séculos a fio e que nada indica que já esteja encerrada.
(...) Se a América colonial tornou-se um cadinho da modernidade, foi por ter sido também um fabuloso laboratório de imagens. Aí se descobre como as "Índias ocidentais" entraram na mira do Ocidente antes de enfrentar, por levas sucessivas e ininterruptas, as imagens, os sistemas de imagens e os imaginários dos conquistadores: da imagem medieval à imagem renascente, do maneirismo ao barroco, da imagem didática à imagem milagrosa, do classicismo  ao muralismo e até às imagens eletrônicas de hoje, que garantem ao México, numa espantosa reviravolta, uma posição excepcional entre os impérios televisivos planetários.
"
 
Serge Gruzinski, A Guerra das Imagens: de Cristóvão Colombo a Blade Runner (1492-2019), 1990 (Companhia das Letras, 2006).
Devia ter amado mais.
 
 
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