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O novo aumento da Selic pelo Banco Central, a anulação do julgamento da Boate Kiss e a decisão do governo de permitir o endividamento de famílias pobres são os assuntos que dominam as manchetes dos principais jornais nesta quinta-feira, 4. FolhaBC sobe juros para 13,75% e não descarta outra altaValorSelic vai a 13,75% e BC já põe 2024 no horizonteEstadãoJustiça anula sentença e manda soltar condenados da Boate Kiss. O Globo: Beneficiário do Auxílio Brasil terá até R$ 2 mil via consignado.

A medida claramente eleitoral vem no momento em que Bolsonaro tenta desesperadamente assegurar o segundo turno das eleições. O empréstimo consignado multiplica efeito eleitoral do Auxílio Brasil, dando até R$ 2.600 a famílias. Bancos e instituições financeiras já fazem pré-cadastros. Juro é quase três vezes o cobrado de aposentados do INSS. No GloboMíriam Leitão critica: Consignado no Auxílio Brasil é um abuso, uma exploração da miséria. Segundo o Datafolha, o auxílio turbinado faz crescer indecisão de beneficiários sobre voto.

Jornais alardeiam que Bolsonaro cancelou encontros com empresários em São Paulo, no dia 11 de Agosto. Viagem do presidente coincidiria com o lançamento de dois manifestos pela democracia. Ele também desistiu de ir à sabatina com industriais na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), marcado para a mesma data. Já estiveram na entidade Ciro Gomes (PDT) e Simone Tebet (MDB) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) é aguardado para o dia 9. 

A mídia repercute que os novos ataques de Bolsonaro a adversários. Ele chamou de 'cartinha' manifesto pela democracia e evoca maioria 'do bem’. Em culto evangélico, presidente critica medidas de governadores na pandemia e diz que população sentiu o que é uma ditadura. “Nenhum de vocês que assinaram cartinhas por aí se manifestaram naquele momento”, disse. A carta em defesa da democracia que já acumula mais de 700 mil assinaturas.

Jornais ainda noticiam que uma coalizão de empresários lançou manifesto pela democracia. Sem democracia não há desenvolvimento e sustentabilidade. Sem sustentabilidade não há futuro possível”. Assim termina o manifesto da Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura, movimento que reúne 300 empresas do agronegócio, indústria e varejo, entidades e organizações ambientalistas, em defesa da democracia e do sistema eleitoral do Brasil. 

Estão na coalizão associações como Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), Abiec (das indústrias exportadoras de carnes) e Indústria Brasileira de Árvores (Ibá), empresas como a JBS, Marfrig, Amaggi, Suzano e Vale, o Itaú Unibanco, Santander e Bradesco, escritórios de advocacia e organizações socioambientais.

Valor relata que Rodrigo Pacheco anunciou que garante a posse do presidente eleito em outubro. Presidente do Congresso diz que dará posse ao eleito no dia 1º de janeiro de 2023. Ele fez ontem uma enfática defesa do sistema eleitoral brasileiro e das urnas eletrônicas, constantemente atacadas por Bolsonaro. Pacheco garantiu que o resultado apurado no pleito em outubro será respeitado e que dará posse ao presidente eleito.

Na FolhaRuy Castro alerta que Bolsonaro está preparando uma guerrra civil no país. “A intenção é provocar uma medida, vinda não se sabe de onde, que o impeça de concorrer às eleições. Isso insuflará o seu discurso de que só assim conseguem derrotá-lo e convocará para a briga seus seguidores, que detêm hoje um poder de fogo maior que o dos quartéis”, adverte. Leia a íntegra ao final deste briefing.

Ainda na política, Poder 360 traz resultados de uma nova rodada de pesquisa do PoderData. Lula derrotaria o atual Bolsonaro por 50% a 40% em um confronto de 2º turno, mostra pesquisa realizada entre 31 de julho e 2 de agosto. No primeiro turno, Lula tem 43% contra 35% de Bolsonaro. Os demais candidatos, juntos, somam 15%. Pouco mudou em relação a 15 dias antes. O petista manteve o percentual da rodada anterior, enquanto o atual presidente oscilou negativamente 2 pontos percentuais – variação dentro da margem de erro de 2 pontos.

LULA

Os jornais repercutem a decisão da Executiva do Pros de declarar apoio a Lula e convocar nova convenção. Presidenciável diz que manterá candidatura e vai recorrer à Justiça. A Executiva Nacional do Pros declarou apoio à candidatura de Lula em reunião ontem em São Paulo. Os novos dirigentes comprometeram-se a convocar nova convenção nacional para o dia 5 de agosto a fim de retirar a postulação do influencer Pablo Marçal, que foi confirmado candidato da legenda no dia 31 de julho.

O jornal ainda informa que o PSB vai pedir impugnação de petista na Paraíba. Presidente da legenda, Carlos Siqueira diz que Ricardo Coutinho é inelegível. É um racha. Na terça-feira, durante ato público em Campina Grande, Lula reafirmou apoio ao senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB) e a Ricardo Coutinho (PT), que devem disputar o governo do Estado e o Senado, respectivamente.

Folha noticia o comício de Lula em Teresina, destacando que o ato teve pai-nosso e bandeira do Brasil em dia de Bolsonaro com evangélicos. Ex-presidente participou de evento político no Piauí cercado de símbolos nacionais e religiosos. Com a participação de uma multidão que lotou o espaço Arena do Povo —foram cerca de 40 mil pessoas, segundo os organizadores—, Lula se disse emocionado e elogiou os militantes por levarem bandeiras do Brasil.

DEMOCRACIA

Folha revela que o Exército comprou equipamento para acessar celulares e silencia sobre motivos. À frente da unidade está general colocado no TSE para contestar urnas eletrônicas. Segundo o jornal, o Comando de Defesa Cibernética do Exército adquiriu pela primeira vez uma ferramenta que permite a extração de dados de telefones celulares, de sistemas de nuvem dos aparelhos e de registros públicos armazenados em redes sociais como Twitter, Facebook e Instagram. A contratação, feita com dispensa de licitação, foi assinada nos últimos dias de 2021. Na época, o comandante do Exército era Paulo Sérgio Nogueira, atual ministro da Defesa.

Valor informa ainda que ex-ministros do Supremo defendem sistema eleitoral. Marco Aurélio lembrou que Bolsonaro critica urnas e esquece que foi eleito graças a elas. Ele e Nelson Jobim fizeram defesas veementes das urnas eletrônicas e da legitimidade do processo eleitoral em evento com empresários na noite de terça-feira em Brasília.

A mídia repercute que as Forças Armadas iniciam inspeção de urnas no TSE. Fiscalização foi oferecida há dez meses. Representantes das Forças Armadas começaram ontem o processo de inspeção dos códigos-fonte das urnas eletrônicas. Ao todo, nove militares do Exército, Marinha e Aeronáutica estão no TSE  para realizar a fiscalização, que vai até o dia 12 de agosto.

Outra notícia do dia é a declaração do presidente do STF, dizendo que a Corte está alerta para frear ‘retrocesso nas liberdades’. Luiz Fux também afirmou que é preciso “lisura informacional no ambiente eleitoral”. O discurso foi feito durante o lançamento do livro “Liberdades”, um compilado de artigos dos ministros do Supremo sobre o tema, organizado pelo Instituto Justiça e Cidadania.

RIO

A mídia ainda divulga que o PT reúne-se hoje para decidir sobre impasse no Rio de Janeiro. Caso candidatura de Alessandro Molon seja mantida, partido deve seguir diretório estadual e desistir de apoio a Marcelo Freixo. A tendência é de que, se não houver recuo do PSB, a cúpula nacional do partido acompanhe a decisão do PT fluminense tomada na terça-feira e aprove o desembarque petista do palanque de Marcelo Freixo (PSB).

Folha noticia que Fernando Haddad assiste com preocupação ao racha do PT com Freixo no Rio e defende aliança. Durante evento na Fiesp, ex-prefeito também acusa o governo de São Paulo de cooptar prefeitos. “Vejo com preocupação, porque temos grande condição de ganhar a eleição no Rio de Janeiro. Temos um candidato que, se não é o líder, está próximo do líder, uma figura louvável”, disse.

Vale a leitura do artigo de Maria Cristina Fernandes, no Valor, destacando que não é coincidência que a ameaça bolsonarista convirja com palanque petista em colisão no Rio. Isso acontece no momento em que o presidente Jair Bolsonaro se organiza para uma exibição de baderna no Rio no 7 de setembro. Leia a íntegra ao final deste briefing.

TRABALHO

Valor noticia que o Senado aprovou MP sobre teletrabalho, que permite às empresas decidir regras do “home office” diretamente com o trabalhador, sem necessidade de negociação coletiva, e muda regras sobre o pagamento do auxílio-alimentação para os funcionários. O governo indicou, entretanto, que pode vetar alguns aspectos da proposta, como o trecho que diz que o trabalhador poderá sacar em dinheiro os recursos do vale-refeição que não forem utilizados em 60 dias. A proposta segue agora para sanção presidencial.

BRASIL NA GRINGA

Reportagem no El País repercute a decisão do Banco Central: Brasil eleva juros para 13,75% no décimo segundo aumento para conter inflação“Banco Central avalia nova alta em sua próxima reunião, às vésperas das eleições e em momento em que a economia é a principal preocupação dos eleitores”, resume.

O argentino Clarín replica a reportagem do NYTimes sobre as pistas de pouso secretas que estão sendo usadas como uma arma por garimpeiros ilegais no Brasil“A extração de ouro, estanho e outros metais tornou-se um negócio extremamente atrativo. Atividades clandestinas e crime”, alerta.

INTERNACIONAL

A elevação da tensão na China, por conta da visita de Nancy Pelosi a Taiwan é assunto principal em alguns dos principais jornais da Ásia, Europa e Estados Unidos. A China iniciou as maiores manobras militares de sua história em torno de Taiwan após viagem de Pelosi. E Pequim avisa ao G-7 que responderá a qualquer violação de sua soberania, aludindo à visita do presidente da Câmara dos Deputados dos EUA. Forças chinesas disparam mísseis balísticos, segundo Taipei. 

Global Times alardeia na manchete principal: Pelosi muda status quo do Estreito de Taiwan com visita provocativa e expõe EUA. Diz o jornal: “A reação da China a essa grave intrusão na soberania do país é amplamente considerada racional e razoável, ressaltando sua firme determinação estratégica e paciência suficiente para cumprir seu próprio cronograma na solução da questão de Taiwan”. O Diário do Povo adota o mesmo tom: China firme como rocha em sua resolução para alcançar a reunificação da pátria.

A mídia russa reforça a posição da China. Sputnik destaca em manchete que Pequim adverte que as políticas de Washington falharão enquanto militares chineses lançam grandes exercícios. E o Asia Times noticia que Pelosi recebe calorosa recepção na Coreia do Sul. “Em um possível aceno para a raiva da China sobre Taiwan, a Coreia é apenas uma etapa da turnê de Pelosi, onde ela não se encontrou com o líder nacional”, relata. 

Wall Street Journal abre a edição de hoje colocando na capa: Tensões aumentam com a saída de Pelosi de Taiwan. Segundo o jornal, após a viagem relâmpago que elevou as tensões militares sobre a ilha ao seu nível mais alto em mais de duas décadas, o risco é de uma escalada que deve persistir por muito tempo depois que ela voltar para casa.

A visita da deputada é colocada na capa do NYT, como tema secundário. O jornal aponta que Pelosi deixa crescentes tensões com a China em seu rastro, após visita a Taiwan. O jornal aponta que a visita foi de alto risco, mas Pelosi ofereceu garantias de apoio americano. “Taiwan agora enfrenta a perspectiva de exercícios militares chineses que podem violar o que diz serem suas águas territoriais”, alerta o diário.

New York Times coloca na manchete a decisão do Kansas de manter a legalidade do aborto, o que incentiva democratas a manter a briga política em torno da bandeira. 'Seu quarto está nas urnas': como os democratas veem a política de aborto depois do Kansas. Após uma ampla vitória em um estado vermelho-escuro, os democratas prometem elevar a luta pelo direito ao aborto nas corridas de meio de mandato em todo o país.

Washington Post alardeia que a lista republicana do Arizona  está repleta de negadores das eleições apoiadas por Donald Trump. Segundo o jornal, os eleitores republicanos do Arizona abraçaram as teorias da conspiração infundadas sobre as eleições presidenciais de 2020 nas primárias de terça-feira e nomearam um candidato que deseja cancelar os resultados das eleições de 2020. Candidato ao Senado, ele disse: “Acho que Trump venceu”. Entre os outros escolhidos, pelo menos sete candidatos à Câmara dos EUA espalharam falsidades sobre a eleição.

Na mídia britânica, atenção à denúncia do Guardian. O jornal destaca um “ecossistema insidioso de extrema direita” tem como alvo crianças na tentativa de radicalizá-las. O jornal diz que fóruns de jogos online, salas de bate-papo privadas e folhetos estão entre as plataformas e táticas usadas pelos grupos. “O perfil etário das referências e prisões de extrema-direita está ficando mais jovem, alertam especialistas, embora os números permaneçam pequenos”, diz a chamada.


 

AS MANCHETES DO DIA

Folha: BC sobe juros para 13,75% e não descarta outra alta

Estadão: Justiça anula sentença e manda soltar condenados da Boate Kiss

O Globo: Beneficiário do Auxílio Brasil terá até R$ 2 mil via consignado

Valor: Selic vai a 13,75% e BC já põe 2024 no horizonte

BBC Brasil: A eleição em que Bolsonaro defendeu urna eletrônica como antídoto contra fraude no voto impresso

UOL: RJ: campeão em salários dos cargos secretos não sabe explicar o que faz

G1:  China faz exercícios militares com munição real perto de Taiwan

R7: Afastamento por Covid-19 cai 90% e doença deixa de ser principal causa

Luís Nassif: A indústria brasileira na década perdida

Tijolaço: BC admite que inflação segue alta e aumenta juros

Brasil 247: Ruy Castro alerta: Bolsonaro não tem nada a perder e prepara guerra civil no Brasil

DCM: Lula e Janones devem selar aliança no 1º turno nesta quarta

Rede Brasil Atual: Lula em Teresina: ‘Esse genocida não pode se apoderar da bandeira brasileira’

Brasil de Fato: Petrobras corta investimento e vende patrimônio para fazer pagamento recorde a acionista

Ópera Mundi: Superministério: Fernández empossa novo titular para a gestão econômica da Argentina

Fórum: Lula e Janones antecipam assunto da conversa: o combate à fome

Poder 360: Lula tem 10 pontos de vantagem no 2º turno

Congresso em Foco: Observadores internacionais colhem informações sobre eleições brasileiras

New York Times: Decisão do Kansas de manter aborto incentiva democratas

Washington Post:  Negadores eleitorais avançam no Arizona

Wall Street Journal: Tensões aumentam com a saída de Pelosi de Taiwan

Financial Times: SoftBank levanta US$ 22 bilhões em ações para vender participação no Alibaba

The Guardian: Revelado: a web de extrema-direita radicalizando as crianças do Reino Unido

The Times: Proibição de mangueira para milhões enquanto país enfrenta seca

Sputnik: Pequim adverte que as políticas de Taiwan de Washington falharão enquanto militares chineses lançam grandes exercícios

Russia Today: Kremlin responde à acusação alemã sobre turbinas

Pravda: Navios-tanque japoneses alinhados para o gás russo

The Moscow Times: Médicos italianos confirmam doença rara de ex-assessor de Putin como envenenamento não descartado

Asia Times: Pelosi recebe calorosa recepção na Coreia do Sul

Global Times: Pelosi muda status quo do Estreito de Taiwan com visita provocativa e expõe EUA

Diário do Povo: Caixa de ferramentas de política do banco central para consolidar a expansão econômica

Le Monde: Orçamento: acordo final com a direita

Libération:  Mulheres no poder: além do símbolo

El País: PP demonstra resistência ao decreto de economia de energia

La Vanguardia: Legislação trabalhista dificulta aplicar o plano de racionamento de energia

Diário de Notícias: Tribunal de Contas alerta para abertura de vagas em cursos com maior desemprego

Público: Cativações penalizam serviços mais afetados pela pandemia

Frankfurter Allgemeine Zeitung: Encomendado e não retirado

Süddeutsche Zeitung: Olhe para Taiwan - e aprenda

Clarín: Massa prometeu ajuste fiscal, teto para subsídios de energia e bônus para aposentados, e descartou desvalorização

Página 12: “Choques de desvalorização só produzem pobreza”

Granma: Cuba ratifica sua defesa de um mundo sem armas nucleares

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LEITURA RECOMENDADA

Baderna à beira-mar

Não é coincidência que ameaça bolsonarista convirja com palanque petista em colisão no Rio

Maria Cristina Fernandes | Valor

No momento em que o presidente Jair Bolsonaro se organiza para uma exibição de baderna no Rio no 7 de setembro, o palanque eleitoral do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Estado entra em rota de colisão. E nada disso é coincidência.

Em setembro de 2020 apareceram novos trechos da delação do ex-secretário Edmar Santos que levantavam suspeitas sobre a participação do então governador em exercício, Cláudio Castro, do PL, e do presidente da Assembleia Legislativa do Rio, André Ceciliano, do PT, num suposto esquema de propinas na Secretaria de Saúde do Rio.

Ameaça bolsonarista converge com base petista colidida no Rio

Ambos negaram a acusação e, como o procurador-geral da República, Augusto Aras, atendeu ao pedido do presidente da República para não colocá-los no mesmo balaio de Wilson Witzel, removido do Palácio da Guanabara, ficou tudo por isso mesmo.

Daí conclui-se que Bolsonaro tem Castro e, consequentemente, sua polícia militar, na mão, circunstância inexistente no 7 de setembro do ano passado, quando a PM de São Paulo foi mantida sob rédea curta.

Se não se promove um golpe de Estado com um desfile militar na Avenida Atlântica, é, sim, possível, quando se tem controle da polícia, orquestrar atentados, ocultar mandantes e provocar um fato político a menos de um mês do primeiro turno. Foi isso que aconteceu em 2018 quando mataram Marielle Franco num Rio sob intervenção militar.

A baderna pode acontecer quando já terá entrado em vigor o auxílio emergencial de R$ 600, que a campanha de Lula já reconhece, pode reduzir sua vantagem sobre Bolsonaro, para o patamar dos dez pontos. Só uma oposição unida, principalmente, no Rio, pode ser capaz de reagir a fatos como este. E é esta unidade que está ameaçada pelo embate entre PT e PSB no Rio, terceiro maior colégio eleitoral do país.

O palanque do deputado federal Marcelo Freixo (PSB) se apresenta com estas credenciais, por unir o ex-presidente da Comissão de Valores Mobiliários, Marcelo Trindade (Novo), à líder da favela do Borel, zona Norte do Rio, Inês Ferreira, passando pela companhia, na chapa, do ex-prefeito e hoje vereador, Cesar Maia (PSDB).

Só o eleitor será capaz de confirmar a competitividade eleitoral indicada nas pesquisas, mas o apoio a Freixo representa uma resistência à ordem bolsonarista no Estado que deu expressão eleitoral ao presidente e à sua família. É isto que o PT ameaça sacrificar. Como nem o deputado federal Alessandro Molon (PSB) nem Ceciliano se põem de acordo sobre qual deles vai perder para Romário, candidato à reeleição ao Senado pelo PL, PT e PSB arriscam pôr abaixo a competitividade de seu palanque estadual.

Molon sabia, desde a entrada de Freixo no PSB, que o PT exigiria um dos cargos majoritários em disputa. Só não contava que seu novo correligionário levasse à frente, de fato, a disposição de disputar o governo. Lula nunca engoliu o que enxerga como lavajatismo de Molon. Por isso, se for derrotado na disputa pelo Senado, o deputado do PSB não teria chance de assumir ministério num eventual governo do PT.

Molon, porém, pode ficar sem mandato e manter sua liberdade. Eleito duas vezes, como candidato único, à Presidência da Assembleia Legislativa do Rio, notório entreposto do crime, Ceciliano já não desfruta da mesma prerrogativa. Por isso, aposta o PSB, acabará por recuar do Senado. Se Lula não está disposto a queimar caravelas por Molon, tampouco o fará por Ceciliano, que não lhe agrega eleitor. O presidente da Alerj chove no molhado do eleitorado bolsonarista da Baixada Fluminense e não vira voto.

Ao preterir a candidatura do ex-deputado constituinte Vladimir Palmeira, em 1998, o PT foi escada para que a dinastia Garotinho proliferasse no Rio de Janeiro. Naquele ano, Lula ganhou por dois mil votos no Estado, mas lhe faltaram 14 milhões para impedir a reeleição do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

O PT fluminense tanto fez que perdeu aqueles com os quais hoje busca se aliar e deixou que a legenda fosse comandada pelo atraso. Como não pode intervir nas candidaturas de outras legendas, resta a Lula enfrentar a ala bolsonarista de seu partido e manter palanque duplo para o Senado, como acontece em muitos outros Estados.

A era Bolsonaro interrompeu uma sucessão de cinco vitórias de candidaturas presidenciais petistas no Rio. Desta vez, Lula está à frente, mas por uma vantagem inferior àquela que pontua nacionalmente. Enfrenta, ainda, o peso do voto evangélico bolsonarista, que pode fazer diferença na reta final. E não apenas no Rio.

A sobrevivência eleitoral da família Bolsonaro depende, em grande parte, do resultado das urnas fluminenses. Não apenas pelo que pode representar para as bases eleitorais de seu grupo político uma troca de guarda nas instituições policiais e de controle do Estado, como também pelo simbolismo de manter o Rio como um reduto do antilulismo.

Esta é outra razão pela qual Bolsonaro escolheu o Rio para sua grande investida do sete de setembro. Só a preservação de um palanque amplo e democrático de resistência será capaz de garantir ao eleitor a prerrogativa de dono da festa.

O deslocamento das ameaças bolsonaristas de Brasília para o Rio sinaliza que as Forças Armadas cultivam melhores expectativas em relação ao próximo ministro do TSE, Alexandre de Moraes, do que o presidente gostaria. A aproximação dos militares com as instituições de controle não param por aí. Ontem o ministro da Defesa, general Paulo Sergio Oliveira, levou representantes das Três Forças para um almoço com todos os ministros do Tribunal de Contas da União na sede da Corte.

Redução do diesel à vista

Depois de duas reduções seguintes no preço da gasolina, chegou a vez do diesel. A queda no preço, que se deve a uma combinação de câmbio favorável e redução na cotação internacional do barril, é esperada ainda esta semana. Pelo peso no transporte de cargas, a queda no preço do diesel pode ajudar na deflação de alimentos mais do que a da gasolina. Se a redução deste combustível já se refletiu no avanço de Bolsonaro nas pesquisas, a do diesel se somará à entrada em vigor do auxílio de R$ 600 na próxima semana. O Planalto pressiona por uma estratégia de reduções sistemáticas no combustível até 2 de outubro. No PT, o sinal de alerta virou uma sirene.

https://valor.globo.com/politica/coluna/baderna-a-beira-mar.ghtml


Bolsonaro prepara a guerra civil

Não é exagero; ele não tem mais nada a perder

Ruy Castro | Folha

Abra o olho, porque as coisas vão esquentar. Bolsonaro está a ponto de perpetrar um grande absurdo, maior do que tudo que cometeu até hoje --algo que porá contra ele até setores que ainda o apoiam no Congresso e nas Forças Armadas. Fará isto de caso pensado. A intenção é provocar uma medida, vinda não se sabe de onde, que o impeça de concorrer às eleições. Isso insuflará o seu discurso de que só assim conseguem derrotá-lo e convocará para a briga seus seguidores, que detêm hoje um poder de fogo maior que o dos quartéis.

Ao contrário do presidente dos EUA Donald Trump, que se achava em condições de enfrentar Joe Biden nas eleições americanas de 2020, Bolsonaro sabe que já perdeu. Se de há muito os números não lhe estão a favor, a campanha os tornará piores ainda quando, descabelado, aos gritos e palavrões, seu descontrole ficar claro até para os papalvos que ainda acreditam nele. Temendo uma derrota no primeiro turno, Bolsonaro não pode esperar por um 6 de Janeiro, como ficou conhecida a invasão do Capitólio pelas hordas de Trump. Precisa de um 6 de Janeiro antes de 2 de outubro. Talvez a 7 de setembro. Talvez antes.

É difícil imaginar algo ainda mais absurdo do que os crimes que ele já cometeu, contra a vida humana, as instituições, a floresta, o decoro, o dinheiro público. Mas Bolsonaro, ou algum gênio da estratégia por trás dele, é inesgotável. A ideia de botar os canhões, urutus e esteiras de lagartas para rodar pela orla de Copacabana já parecia descalabro suficiente, mas não é ---pode melar com uma simples canetada do prefeito do Rio. Bolsonaro terá de vir com algo muito mais bombástico. E virá.

Alguns verão nisso um exagero. Mas, há um ano, também se achava exagero dizer que Bolsonaro estava se preparando para um golpe.

Desta vez, será mais do que um golpe ou tentativa de. Será a senha para uma guerra civil. Bolsonaro não tem mais nada a perder.

https://www1.folha.uol.com.br/colunas/ruycastro/2022/08/bolsonaro-prepara-a-guerra-civil.shtml

 
 
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